"Tive um pesadelo! Sonhei que era inteligente e as pessoas me responsabilizavam pelos meus atos". Fala de Cosme, personagem do desenho Os padrinhos mágicos. É difícil demais lidar, dia a dia, nos mais variados ambientes, com crianções de bigode que OPTAM pela burrice para fugir das responsabilidades. Nelson Rodrigues já repisava este assunto insistentemente. E a situação piorou, caro Nelson.
...........................notas sobre arte e pensamento & improvisos autobiográficos.........................
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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
“Elegia de São Luís”: H. Dobal relê Gonçalves Dias
Elegia de São Luís
Indiferente ao movimento da vida,
um canto de sabiá
se despeja triste
sobre São Luís do Maranhão.
Canto, pranto, lamentação de sabiá
atravessando o dia e a noite,
atravessando o céu e a terra.
A passagem da lua,
a passagem das velas nos canais
que a maré transforma e retransforma,
a solidão das igrejas,
a ameaçada solidez destes sobrados,
nada pode vencer
a tristeza deste canto.
Este canto não vem
de uma palmeira invisível.
Vem da gaiola acima da escada
e corta a sala, o jardim, atinge a rua
onde os ônibus soluçam.
Mais ainda: atinge tudo isto
Que está sendo chamado a desaparecer.
(In: A
cidade substituída)
A “Canção do Exílio”, do maranhense Gonçalves Dias,
transforma-se, nessa releitura de Dobal, em elegia, canto de lamentação; o
sabiá gonçalviano, um dos mais fortes símbolos do nacionalismo criados por
nossa literatura, transmuda-se num sabiá solitário, apartado do povo,
“indiferente ao movimento da vida”; no poeta maranhense, o sabiá canta numa
palmeira: vive em harmonia com a natureza e bem pode simbolizar a relação do
poeta (sabiá) como o seu chão (país). O eu-lírico gonçalviano pôde cantar, com
feliz ingenuidade, os poderes da poesia e a comunhão com a pátria: o Brasil, à
época do romantismo, precisava de mitos, gestados pela mente prodigiosa de seus
escritores, que alimentassem o amor pátrio e nos singularizasse enquanto nação.
No contexto em que se insere o eu-lírico dobalino, a situação é bem outra: o
sabiá, desnaturalizado, deslocado, vive na prisão da gaiola e seu canto triste,
como a elegia do poeta, parece não atingir ninguém: canto inútil porque
protesto contra uma perda da memória coletiva que parece não fazer falta.
Interessante notar, no poema dobalino, a ausência de pessoas; citam-se igrejas,
sobrados, ônibus – elementos que naturalmente pressupõem a presença de seres
humanos –, mas não se apresentam pessoas propriamente, o que reforça ainda mais
a solidão do sabiá / poeta.
Octavio Paz avalia que o discurso poético, desde o
final do século XVIII, tem se manifestado como rebelião; segundo Paz, “a poesia não é um gênero moderno; sua
natureza profunda é hostil ou indiferente aos dogmas da modernidade: o
progresso e a supervalorização do futuro”. O eu-lírico dobalino, de pendor
conservador, rejeita os “dogmas da modernidade” apontados por Paz e deseja
redirecionar as pessoas para a tradição, para a conservação da memória coletiva.
A “Elegia” de Dobal, assim, possibilita-nos pelo menos
dois planos de compreensão. No primeiro plano, temos a denúncia da
artificialização e da degradação dos bens públicos (a memória arquitetônica
colonial de São Luís). No segundo plano, mais implícito, temos o tema do processo
de isolamento do poeta, que não se comunica mais com o povo, não tem mais uma
função social definida. Praticamente todo o livro A cidade Substituída insistirá nessas duas idéias. E, para
compreendê-las mais a fundo, precisamos nos aproximar da teoria da experiência
de Walter Benjamin.
Benjamin
observou que o modo de produção capitalista enfraqueceu as atividades ligadas à
Erfarhung (experiência coletiva) em
detrimento de outro tipo de experiência, a Erlebnis
ou experiência vivida, típica do indivíduo solitário. Esse arrefecimento de uma
memória e uma experiência comuns resultou numa espécie de culto da novidade,
que levou o pensador germânico, no ensaio “Experiência e pobreza”, a
perguntar-se: “qual o valor de nosso patrimônio cultural, se a experiência não
mais o vincula a nós ?” É exatamente nesse ponto – em que a tradição não nos
provém de modelos seguros porque o que vale é o que é novidade – que se
consolidam a informação jornalística (antípoda da experiência e da sabedoria) e
o romance (narrativa de busca de um sentido e não depositório de experiências
partilháveis); é aqui também que o poeta enquanto guardião da memória (papel de
Dobal em A cidade substituída, e não
só ali) sente o peso de sua cisão em relação à comunidade. E troca,
inevitavelmente, a “canção” pela “elegia”.
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
Facebook e BBB
A diferença entre fenômenos
como Facebook e BBB é de grau e não de gênero. Ambos são frutos do mesmo Zeitgeist. Portanto, criticar aquele programa global via Face sem fazer uma séria autocrítica é inútil
e pouco inteligente. Há pessoas que não vão ao banheiro sem avisar pelo Face (e pelo Twitter) e mesmo assim descem
o pau nos brothers. Dos mais coerentes seria preciso esperar que simplesmente
deletassem seu Face. Dos menos, que
fizessem uma autocrítica responsável e evitassem a antipropaganda barulhenta e moralista.
Não estou tentando vetar a crítica ao programa global, mas reconhecendo que
crítica sem autocrítica é uma prática cínica.
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
O silêncio (Sokout, Irã, 1998), de Mohsen Makhmalbaf
A filmografia Mohsen Makhmalbaf é das
mais irregulares e fascinantes do cinema atual. Ele tanto pode executar uma
reflexão densa e poética sobre o cinema e sua força de coesão social, como em Um instante de inocência (1996), como
partir para um denuncismo ingênuo, ocidentalista e tecnicamente cheio de
irregularidades, como em A caminho de
Kandahar (2001); pode desfiar um filosofismo meio requentado, como em O grito das formigas (2006) ou atingir o
cerne da poesia das imagens através de manipulações simples e de um roteiro sem
nenhum desejo doutrinário ou moralizante, como neste O silêncio (1998).
O
silêncio é uma obra
ímpar cuja singularidade reside, em grande parte, no trabalho inteligente de
manipulação dos sons. O artificialismo do filme reside basicamente aí: o som
deixa de servir para fins naturalistas e se torna um agente produtor de espaços
subjetivos e fonte de simbolismo. No mais, é um desses filmes a que rótulo
neo-realista pode ser usado sem parecer demasiado abuso. Ora, o contraste entre
a imagem quase sempre naturalista – há momentos que demonstram preciosismo na
montagem, sim, mas o plano-seqüência, geradora de “imagem-fato” (André Bazin),
que dá sensação de realismo, é o que predomina – e o som artificialmente
manipulado gera um efeito estético dos mais interessantes. Diria que O silêncio tenta operar um alargamento
de nossas possibilidades de construção da realidade, substituindo a prevalência
da imagem na produção de sentidos pelo som. O som é o agente criador, poiético, por excelência do filme. Para
entendermos melhor isso, adentremos um pouco no enredo de O silêncio.
Khorshid (sol, em farsi) é um menino
cego que vive numa vila no Irã. Seu pai viajou para Rússia e as condições
materiais em que vive são das mais precárias. A casa é alugada e o dono ameaça
jogá-los fora; Khorshid trabalha como afinador de instrumentos musicais e sua
mãe passa o dia pescando. Vê-se a impotência da mãe em lidar com a situação,
sempre recorrendo ao filho, pedindo-lhe para falar com o patrão a fim de
conseguir o dinheiro do aluguel. O arco temporal do filme cobre cinco dias na
vida do protagonista, tempo em que ele ou levará o dinheiro ou será expulso da
casa. O enredo resume-se à trajetória casa-trabalho, tendo na ida de ônibus ao
trabalho seus momentos (digamos com algum exagero) mais dramáticos.
Detesto resumir enredos de filmes, mas
aqui a síntese ligeira acima servirá para alguns esclarecimentos. Cego que é,
Khorshid desenvolveu uma audição prodigiosa e, apaixonado por música, mormente
pela Quinta Sinfonia de Beethoven, tem a facilidade de transformar em música os
barulhos do cotidiano (como disse Ambrose Bierce, barulho é “música não
domesticada”). Aqui cabe uma comparação que, em princípio, pode parecer
disparatada: a forma como a cegueira é representada em O silêncio e no blockbuster Demolidor
- O homem sem medo (Daredevil, EUA,
2003). Em ambos os filmes, a cegueira traz como contrapartida positiva um
refinamento de outros sentidos (tato e audição em especial); porém, n’O demolidor o herói, ao tocar nas coisas
e fazê-las vibrar, tem a percepção rigorosamente perfeita do ambiente em que se
encontra; em O silêncio Khorshid
também reconstrói o mundo via audição, mas, enquanto lá a reconstrução é tão
exata que a cegueira praticamente deixa de ser um problema, aqui a reconstrução
é subjetivo-poética: guia-se pela harmonia dos sons e dá ao portador um mundo
diferente daquele percebido pela visão. Arriscando uma generalização a partir
dessa macérrima base empírica, diria que temos aí o desenho do contraste entre
o realismo ilusionista, de pretensões objetivas, do cinema de entretenimento
estadunidense e o realismo poético do cinema de autor iraniano, onde a
pretensão de uma representação objetiva do mundo via cinema é rechaçada, quando
não denunciada conscientemente nas próprias malhas do filme[1].
Há uma “realidade” que construímos com
a visão e outra que o cego constrói via audição. Mohsen Makhmalbaf nos
desconcerta lembrando aquela antiguíssima premissa do empirismo segundo a qual,
segundo John Locke, nada vem à mente se não passar pelos sentidos. Ora, se me
falta um sentido, o mundo para mim será diferente (não se entenda: deficiente).
Mas é claro que o filme está longe de ser uma ilustração de uma postura
filosófica que já em Kant fora refutada.
O filme, menos que comprovar teses filosóficas, quer é nos mostrar o
poder poiético, isto é, criador do
ouvido. Um som de um instrumento musical ou uma chuva evocam no cego miríades
de possibilidades e, se este cego é uma criança, como é o caso de Khorshid, tudo
pode ficar mais poético.
Quando pega o ônibus para ir trabalhar,
o protagonista tenta fugir do excesso de estímulos que os sons lhe oferecem,
tampando os ouvidos, mas em vão...
O medo dele é a atração que a música exerce em seu espírito:
ele é capaz de descer antes da parada que deveria ficar para seguir uma pessoa tocando
um instrumento ou um rádio transmitindo uma música. Khorshid está cindido entre
trabalhar para se alimentar e pagar o aluguel ou seguir a música que alimenta
suas necessidades interiores mais profundas. Ao fim, devido a essa hesitação
que o distrai e lhe prejudica no trabalho, acaba sendo despedido e despejado de
casa. No entanto, numa cena que é um prodígio de técnica e de imaginação,
Khorshid finalmente consegue reger a Quinta Sinfonia. A catarse está completa: venceu
a música, venceu o Espírito. Venceu o cinema. Venceu a arte.
Mas fica a dúvida: para Mohsen há uma
incompreensão mútua, indissolúvel, entre os humanos que são olhos e os que são ouvidos? Sim, mas nem tanto. A cena, em minha opinião, mais bela do
filme mostra Khorshid se perdendo (mais uma vez a culpa é da música que ele
ouviu e resolveu seguir) da amiga e companheira de trabalho Naderah.
Desesperada, sem conseguir encontrá-lo, ela tem uma idéia: fecha os olhos e
começa a caminhar se orientando pela audição; nesse ouvir de olhos cerrados ela
começa a reconstruir o mundo para si de uma maneira que a aproxima de Khorshid.
Acaba, assim, encontrando-o.
[1] Esse problema é muito bem refletido na
obra O espetáculo interrompido, de
Robert Stam, Rj, Paz e Terra, 1991.
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
O público minoritário de poesia – resposta a um amigo
Um
amigo me sugere que fale sobre o público minoritário da poesia. Por que tão
poucos são os leitores de poesia? Se eu não estivesse tão atarefado e fosse
mais prudente pararia para fazer uma pesquisa, pois se trata de uma questão
delicada e complexa. Dadas as circunstâncias, deixo meus pruridos de
pesquisador de lado e esboço uma resposta das mais breve possíveis.
Antes
de tudo, é preciso responder: que tipo de poesia tem público minoritário?
Suponho que, como eu, meu amigo esteja pensando na poesia da literatura
“oficial”, da “alta” literatura. Pois o cordel (ao menos aqui no Nordeste) e as
letras de músicas têm um público cativo que não pode ser desconsiderado. Ambos
comunicam experiências vivas aos seus públicos, ambos obtêm respostas
empolgadas e empolgantes desse público. Mas a poesia da alta literatura parece
que é produzida para o consumo interno: todos os grandes leitores dessa poesia
que eu conheço, a começar por mim, também a produzem. Trata-se, sem mais nem
menos, de uma seita, como já a chamou Octavio Paz. Por que essa poesia tem um
público tão limitado? Arrisco cinco hipóteses, consciente de que darei uma explicação
bastante incompleta e nada exaustiva.
Em
primeiro lugar, a poesia moderna, pós-baudelairiana, com seu hermetismo, sua metalinguagem,
sua ironia autoconsciente, seu horror à experiência comum, é uma poesia que se
quer, e se faz, contracomunicativa, uma coisa de iniciados. Quase todas as
vanguardas seguiram o mesmo caminho: o gosto pelo hermetismo, o metalinguismo,
a experimentação sem freios e o menoscabo pela comunicação. Há exceções, é
claro, há os Whitmans, os Nerudas, os Cabrais.
Em
segundo lugar, a chamada cultura de massa destronou a poesia (a grande
literatura em geral) de sua função formativa-informativa. O prazer difícil da
poesia virou coisa de pária – de intelectuais ressentidos, de eruditos
nostálgicos, de humanistas esnobes etc. Não concordo nem um pouco que haja uma
ruptura radical entre alta cultura e cultura de massa; da mesma forma, não
demonizo a cultura massiva. Mas que ela reelaborou espertamente em pautas mais
suaves e palatáveis as grandes conquistas formais da alta literatura não resta
dúvida.
Em
terceiro lugar, há o medo imbecil de certos platonistas de plantão de que a
poesia seja corruptora dos bons costumes.
Em
quarto lugar, há os platonistas aos avessos que querem reduzir a poesia à
pregação política e/ou moral. A poesia como instrumento de promoção da justiça
social. É a praga do politicamente correto (que nem sempre é tão correto quanto
se pensa).
Em
quinto lugar, há um fenômeno que talvez não seja mundial, mas tipicamente
brasileiro: o coro de professores de literatura incompetentes, em todos os níveis
de ensino, que vivem repisando o mantra de que poesia é difícil. Estes
palradores muitas vezes preferem o romance, penso eu, porque é mais fácil divagar
no comentário de obras romanescas do que no de um poema: é quase impossível
interpretar um poema sem virar e revirar sua carnadura, sua arquitetura.
Tudo
isso são considerações genéricas. Haveria muito o que se falar contra boa parte da poesia que se faz
hoje, buscando argumentar que muitos poetas estão se lixando para o fato de que
só seus pares os leiam. Mas me furto de tratar disso agora por falta de tempo e
de leituras mais sistemáticas das obras de meus confrades.
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
9 - A salvação (EUA, 2009), de Shane Acker
Citar – isto é, aludir, parodiar,
parafrasear, pastichar – é a regra de ouro de toda obra que queira parecer
profunda. Uma pitada de referência mitológica, uma citação bíblica, uma piscada
de olho para Homero: pronto, eis que surge uma obra densa, profunda! Raramente
se pergunta pela qualidade e a adequação da citação. O simples fato de ali,
naquele seriado preguiçoso ou naquele filminho vagabundo, ser notório uma
alusão ao Gênesis ou ao Apocalipse é suficiente para se atestar
a profundidade da obra.
Se eu pudesse apontar uma única falha nesse
belo 9 - A salvação (2009) seria
esta: a citação pseudoculta. Apinhado de citações, o filme investe na retomada
de um topos consagrado na literatura
e no cinema – a vida num mundo pós-apocalíptico, dominado por máquinas
perversas. Em 9, a humanidade
já foi para o beleléu, engolida pelas máquinas inteligentes gestadas, “para
facilitar o progresso da raça humana”, por um cientista (advinha?) de bom
coração mas... ingênuo, que não sabia do mal uso que fariam com sua engenhoca. Antes de morrer, o nobre sábio constrói
bonequinhos toscos, aos quais – a velha aliança entre ciência e magia! – doa
sua alma, na esperança de redimir seu erro e salvar uma porção da humanidade. O
último desses bonequinhos que ganha vida é 9, e é ele o Redentor. Evito aqui
relatar o enredo com detalhes, mas posso adiantar que nos nove bonequinhos que
protagonizam o filme o diretor e a roteirista concentram notável galeria de
arquétipos, através dos quais movem sem pejo um dilúvio de clichês: há o asceta
covarde, modelado na fôrma do ressentido nietzschiano, pregando sua moral de
rebanho e disseminando seu ódio a tudo que é nobre e forte (embora, ao fim, ele
se redima, num dos poucos lances de rebeldia do diretor contra a rigidez dos topoi que ele põe em movimento); há o
velho sábio, a femme fatale, o
brutamonte idiota; o inventor, o artista-profeta e, claro, o redentor de todos
eles.
É preciso dizer que 9 surgiu de um magnífico
curta homônimo, também de Shane Acker. Sem dúvida, o curta é infinitamente melhor
que o longa, por dois motivos: mantém a mesma soberbia visual e explica pouco.
O longa, ao querer explicar demais, mata a poesia por excesso de didatismo, se
enrola em clichês, se perde em excessivas alusões (bíblicas, literárias,
cinematográficas e até cabalísticas) cuja maior funcionalidade e querer dar um
ar cult ao filme.
Na verdade, não vejo por que esse desejo de
querer parecer cult. Implico com este
fato porque considero que a pretensão desbragada do diretor e da roteirista
acabou por abalar o equilíbrio da obra; as inserções cults e os subtextos políticos e metafísicos funcionaram, a meu
ver, como ruídos. O que de fato é soberbo em 9 - A salvação é sua concepção visual, desde a constituição do
cenário (fruto, não tenho dúvida, de acurada pesquisa histórica), passando pelo
designer dos bonecos e máquinas, até a funcionalíssima fotografia, soturna,
bastante integrada à atmosfera da obra.
Nunca é demais lembrar que Tim Burton foi o
produtor desse filme, e é visível, para quem conhece seu estilo, o peso de sua
mão da concepção da obra. Não só isso: Burton levou seu trilheiro favorito,
Danny Elfman, que fez o trabalho musical à altura da fotografia e do cenário.
Que esses dados, porém, não sirvam para tirar o mérito de Shane Acker; quem
tiver dúvida, basta assistir ao curta que deu origem ao filme em discussão. Shane
chegou para ficar; aposto minhas fichas em seu próximo longa, independente de
quem o produza. Ficarei de olho também na Focus Features, que antes já produzira
Coraline e o mundo secreto, uma das
melhores animações da década.
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